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Instituto Midia Étnica | A Bahia pela democratização da comunicação
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A Bahia pela democratização da comunicação

18 Nov A Bahia pela democratização da comunicação

A pouca diversidade na mídia tradicional, sobretudo com ausência de representatividade das questões raciais, foi um dos principais fatores que resultaram na criação de diversas experiências midiáticas.

Por Alex Hercog*

Bandeira histórica dos movimentos sociais, a luta pela democratização da comunicação no Brasil continua, mesmo em um cenário político desfavorável. A mobilização em torno da construção de um marco regulatório segue unificando o movimento, no entanto, nem o mais otimista acredita que uma legislação democrática possa ser aprovada nos próximos anos.

Além de parlamentares que retiram as esperanças, o governo insiste em negligenciar as principais pautas do segmento. Mas, na contramão da inércia governamental, do conservadorismo do Congresso e do oligopólio midiático, o movimento segue forte, sendo renovado e construído de diferentes formas, fruto de diversas iniciativas individuais e coletivas.

Na Bahia, essa construção tem sido feita a partir de articulações e ações concretas. É o caso do Instituto de Mídia Étnica, criado há dez anos por jovens jornalistas.

A pouca diversidade na mídia tradicional, sobretudo com ausência de representatividade das questões raciais, foi um dos principais fatores que resultaram na criação do Instituto.

Hoje, o Mídia Étnica possui sede própria e realiza projetos ligados ao desenvolvimento de novas plataformas tecnológicas, empreendedorismo negro, além de manter o site Correio Nagô, portal com conteúdos que contemplam às diversas pautas raciais. Paulo Rogério, um dos fundadores, tem viajado o país e o exterior, convidado para apresentar a experiência de sucesso do Instituto.

A questão étnica no centro da comunicação também impulsionou a criação da revista Afirmativa, desenvolvida por estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo Baiano e lançada em 2014. A terceira edição da revista impressa já está pronta, feita de forma independente. Alane Reis, editora-chefe da Afirmativa também faz parte do coletivo Tela Preta, que produz filmes e vídeos, dentro de um mercado audiovisual excludente, sobretudo para diretoras mulheres e negras.

Aos 17 anos, Monique Evelle criou o Desabafo Social, pensando numa comunicação voltada para a garantia de direitos humanos. Atualmente, no seu quarto ano de existência, o Desabafo Social se transformou numa rede, com colaboradores de diversos estados e com um reconhecimento que vem através de prêmios, parcerias e convites para apresentar suas experiências.

E da periferia de Salvador surgem diversas ações, como o Resistência Poética e o Sarau da Onça, que tratam de diversas problemáticas sociais através da poesia.

O Mídia Periférica exibe filmes nas comunidades, promove debates e através de reportagens busca apresentar a periferia a partir de uma perspectiva de dentro. Com um olhar semelhante, atua o coletivo de Jovens Comunicadores e Comunicadoras do Subúrbio. Na cidade de Vitória da Conquista, a revista digital Gambiarra traz o ativismo como elemento transversal à produção jornalística. Em Coité, a rádio comunitária Coité FM resiste há mais de 15 anos à clandestinidade imposta pelo governo.

Esses são só alguns exemplos de iniciativas no estado. Cada vez mais a juventude baiana – sobretudo negra e da periferia – vai democratizando a comunicação.

As ações, no entanto, não estão alheias à busca por incidência política que amplie esse direito para toda a sociedade. Com esse propósito, formou-se em 2015 o Coletivo Baiano pelo Direito à Comunicação (CBCom), com o objetivo de fortalecer a articulação do segmento no Estado. Somam-se ao CBCom as iniciativas de jovens e a experiência de organizações como a Vida Brasil, Cipó, CESE e o coletivo Intervozes.

E essa mobilização já rendeu frutos, como a realização da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação. As ações ocorreram de 14 a 21 de outubro e, na Bahia, seis municípios promoveram atividades, com destaque para o debate sobre mídias alternativas, concentração, representação e análise crítica da mídia. É a luta pelo direito à comunicação acontecendo na prática, com os esforços da sociedade civil e o desejo de construção de uma mídia democrática.

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